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Presente nos pães e massas em geral, e até na cerveja, o glúten se tornou vilão para quem busca uma vida mais saudável – e para os portadores da doença celíaca.

Encontrado no trigo, cevada, aveia e centeio, é digerido com dificuldade e se transforma em uma espécie de cola, grudando nas paredes do órgão e provocando dores, acúmulo de gordura na região do abdômen e saturação do aparelho digestivo.

Na cultura oriental, o excesso de glúten no organismo é sinal de ‘má higiene interna’, em alusão ao emperramento do organismo causado pela substância, favorecendo o crescimento de bactérias e outros micro-organismos. Outras doenças que podem ser causadas pelo glúten são obesidade, resistência à insulina, deficiência de cálcio e diarreia.

Moda nas academias
A dieta sem glúten virou hit entre os frequentadores das acadêmicas e incentivadores de um estilo de vida saudável. Uma das celebridades adeptas da ‘modalidade’ é a apresentadora Angélica. Mas, assim como qualquer outra dieta, deve haver o acompanhamento de um profissional especializado. A eliminação total do glúten da alimentação diária pode causar alteração no metabolismo, promovendo uma série de problemas ao organismo, como baixa imunidade e anemia.

A aderência disciplinada a dietas com restrição de glúten não é tarefa simples, porque ele está presente na maioria dos alimentos industrializados. Os que não o contém são mais caros e difíceis de achar; frequentemente são importados de países como Holanda, Itália, Inglaterra, Suécia e Finlândia.

Doença celíaca
Acometendo cerca de 1% das crianças e adultos, a celíaca é uma das poucas doenças autoimunes em que o agente causador é conhecido: o glúten. E, para cada caso em homem, existem dois ou três outros em mulheres, segundo o médico Dr. Drauzio Varella.

Para a maior parte dos portadores a doença é descoberta por acaso, através da realização de endoscopias por suspeita de úlcera ou refluxo. Em outros casos, durante a investigação de deficiências de vitamina B12, ácido fólico, ferro, cálcio e de quadros de anemia e osteoporose, condições frequentes na doença celíaca.

O tratamento consiste na eliminação definitiva de alimentos que contenham glúten. Essa medida provoca melhora clínica em dias ou semanas, mas as alterações visíveis nas biópsias do intestino podem persistir meses ou anos. É muito importante corrigir as deficiências de vitaminas e sais minerais e avaliar a densidade dos ossos, a presença de anemia e de déficits de crescimento.

Associações que defendem os direitos dos portadores de doença celíaca cobram das autoridades, há anos, rigor no cumprimento da lei que obriga os fabricantes a estampar no rótulo dos alimentos a presença de glúten. Essa medida, ridiculamente simples, evitaria o sofrimento de milhares de pessoas.